Hoje muitas empresas já permitem que seus colaboradores realizem o chamado “crédito consignado”, oferecendo isso como um benefício. Contudo, com essa ação as empresas não estarão combatendo a causa do problema do endividamento, ao contrário, o combate será apenas para o efeito fazendo com que esse problema possa se tornar uma “bola de neve”. Combater a dívida é uma questão pura e simplesmente de atitude e determinação e querer enxergar a verdadeira situação financeira.
É fundamental que os profissionais de recursos humanos se atentem para o papel primordial da capacitação de seus colaboradores em relação a educação financeira, pois, isso com certeza fará com que eles saiam das dividas e melhorem sua produtividade além de melhorar sua auto estima.
Mas o que é o crédito consignado? É uma forma dos trabalhadores terem acesso a empréstimos com juros bem mais baixos que os usualmente cobrados no mercado como o famoso limite do cheque especial que de limite não tem nada e sim é uma linha de crédito com taxas altíssimas, sem contar com o cartão de crédito e crédito pessoal. Com a garantia de que os descontos das prestações sejam em folha de pagamento (crédito consignado), ou seja, o trabalhador receberá seu salário já deduzido da prestação devida ao banco. O valor máximo das prestações é de até 30% do salário líquido mensal.
Não sou contra o crédito consignado, mas sou a favor de que para a implantação deste seja feito uma palestra de conscientização de que este benefício é para ser utilizado em momento de dificuldades do colaborador e não para consumo, muitas vezes supérfluos, sem nenhum critério. Faz-se necessário capacitar os colaboradores com uma boa orientação sobre o uso consciente deste crédito para que o colaborador pense duas vezes antes de tomar o crédito.
O que muitos não percebem é que a empresa incentivando a prática de empréstimos para seus colaboradores estará apenas criando um problema a mais para o futuro. Pois, além de iniciar essas pessoas no ciclo vicioso do endividamento, com parte de seus recebimentos sendo comprometidos em folha, também diminui o padrão de vida dos mesmos. É muito comum um colaborador que nunca buscou crédito no mercado financeiro quando oferecido este “benefício” e ele envolvido pelos meios publicitários acabe ingressando no ciclo dos endividados e quando ele menos percebe já está com um montante de dividas que come até 30% de sua remuneração mensal.
Isso provavelmente gerará no futuro insatisfação dos colaboradores, ao constatarem que o que a empresa paga não é suficiente para eles sobreviverem. Agora, quando a empresa realiza o trabalho de orientação do uso deste “benefício” com cursos e palestras de educação financeira dos colaboradores, os próprios colaboradores verão que é possível utilizar os salários de forma adequada, até mesmo guardando uma parte deste para a realização de objetivos (sonhos futuros).
Com a educação financeira, os colaboradores quebrarão paradigmas estabelecidos em nossa sociedade sobre a utilização do dinheiro de forma irresponsável e consumista, vendo que o que gastam deve se adaptar ao que ganham, incluindo nisso uma quantia para os objetivos. A empresa, oferecendo isso aos colaboradores, além de melhorar a qualidade de vida deles e de suas famílias, com certeza também observará melhorias na produtividade, já que pessoas com menos problemas se dedicam mais aos seus afazeres profissionais.
Por fim, a empresa também deve mostrar que esses créditos são bons em alguns casos, principalmente para quem está pendurado no cheque especial ou cartão de crédito, sendo uma ótima opção para sair do sufoco pelos juros menores e prazos maiores. Para quem está no crédito pessoal parcelado ou no carnê da loja, até no penhor da CEF, tem que analisar o desconto que será dado pelo pagamento antecipado da dívida. Se a taxa de juros do desconto for maior que a do empréstimo consignado, recomendo a troca, caso contrário fique onde está, mas em qualquer que seja o caso é necessário que o colaborador tome as rédeas de sua vida financeira, antes que seja tarde e neste caso o papel de nossos lideres empresariais e de RHs é vital para esta conscientização e capacitação.
Antes de oferecer benefícios aos colaboradores, é importante dar a percepção de onde as ações corretivas e preventivas serão de melhor desempenho e eficácia. Pois, como diz o velho ditado “prevenir é melhor que remediar”, por isso é que o Instituto DiSOP de Educação Financeira tem a grande missão de apoiar os RH’s de cada empresa para que este benefício não se torne um pesadelo, vamos ensinar nossos colaboradores a sair das dividas e se não as tiver ensinar a não entrar no endividamento.
Reinaldo Domingos
Educador, Terapeuta e Consultor Financeiro
Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira
Autor do Livro didático Terapia Financeira (Editora Gente)
Autor do Livro Infantil O Menino do Dinheiro (Editora Gente). |