A utilização do cartão de débito está em alta no país. Segundo dados do Banco Central, entre 2003 e 2008, houve um crescimento de 217% no seu uso, isso representa um salto de 662 milhões de transações para 2,100 bilhões. Entretanto, ainda segundo o BC a utilização desse instrumento de pagamento tem muito ainda para crescer e fazer parte das finanças pessoais da população.
O cartão de débito é utilizado para compras a vista, enquanto, cartão de crédito e cheques podem ser utilizados para parcelamentos, isto é, dívidas por isso muitos especialistas consideram essa uma boa notícia, pois, demonstra que as pessoas não estão mais entrando em dívidas, e estão mais preocupadas com a educação financeira. Contudo, essa não é a realidade, por mais que as pessoas paguem os produtos a vista, a falta de educação financeira faz com que elas entrem em outra armadilha, as linhas de créditos especiais oferecidas pelos bancos, que é o mesmo que chamamos por muito tempo de “limite especial do cheque” e são dívidas.
Por mais que isso seja apresentado como uma vantagem, na verdade é um dos maiores riscos existente no mercado financeiro, pois, ao utilizarem isso, os consumidores ficam expostos a juros abusivos que podem comprometer suas finanças pessoais por um longo período. Nesse caso o parcelamento no cartão ou cheques pré-datados chegam a ser mais vantajosos.
A compra de um produto a vista é melhor opção, com certeza, você obtêm maior desconto, elimina os boletos ou a necessidade de planilhas de acompanhamentos de quando os valores irão ser descontados das dívidas. Mas, para que não cause problemas, deve ser acompanhado de educação financeira e noções de consumo consciente.
A educação financeira é importante para que a aquisição do produto ocorra apenas quando a pessoa tenha essa quantia para pagamento a vista e, mais importante, que o valor não vá faltar no fim do mês, ocasionando dívidas. As linhas de créditos, que a cada dia são mais comuns e simples de conseguir, devem ser evitadas a qualquer custo.
Já o consumo consciente é fundamental para que as pessoas passem a adquirir apenas produtos que são realmente necessários. Muitas vezes por impulso as compras são feitas sem reflexão, não havendo real necessidade e impulsionado pela forte publicidade a qual os consumidores estão expostos todos os dias.
Reinaldo Domingos – Consultor Financeiro e Palestrante sobre Educação Financeira. Também é autor do livro “Terapia Financeira” - (Editora Gente), e criador da Metodologia DiSOP – Educação Financeira - Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira. |