Hoje a taxa de endividamento no país atinge índices absurdos, e os dados que nos passam se referem apenas às dividas que são possíveis mensurar (crediários, bancos, cartão de crédito, financeiras, governos...). Mas, esse número aumenta muito se pensarmos que existem ainda as pessoas que devem para amigos, colegas e parentes, sem contar os agiotas, isto é, a falta de educação financeira assola o país.
Esse dado mostra um quadro muito grave que atinge a maior parte de nossa população, o analfabetismo financeiro. Esse tipo de analfabetismo atinge os mais variados níveis de nossa população, não fazendo distinção de grau de escolaridade, classe social ou religião, e ele é caracterizado por pessoas que não tem a menor noção de como funciona as questões cotidianas das finanças pessoais.
São as pessoas que pagam a parcela mínima do cartão e acham isso normal, não possuem controle sobre o que gastam durante um dia e muito menos no mês, acreditam que apenas o fato de pagar as dívidas que possui lhe dá segurança, entram no cheque especial como se isso fosse um valor incorporado em sua renda, compra sem pesquisar, não se preocupa com seus rendimentos futuros, entre outras várias ações que geram o descontrole e o endividamento.
A culpa desse quadro de analfabetismo financeiro, como no analfabetismo em geral, não é da pessoa que sofre esse problema e sim de todo nosso sistema educacional. Neste caso por não disponibilizar na grade curricular das escolas a educação financeira. O que mais me espanta é que nossas autoridades ou mesmo lideranças da área educacional não se atentam para a importância deste tema; percebo que parece até mesmo heresia para algumas pessoas falar sobre isto, como se não vivêssemos em um mundo onde, querendo ou não, o dinheiro é fundamental em praticamente tudo o que fazemos.
Um fato inegável é que, cada vez mais cedo, as pessoas estão tendo contato com o dinheiro, assim se torna simples a aplicação desse tipo de educação em nossas escolas, pois se apega em algo que tem relação ao nosso cotidiano.
É fundamental ter em mente que não adianta combatermos as dívidas das pessoas depois que esta se consolidou, temos que ter em mente que isso só será solucionado com uma ação educativa preventiva. Muito dos problemas sociais que enfrentamos em nosso país como a violência e a miséria poderiam ser reduzidos com uma população com educação financeira.
Recentemente, com o desenvolvimento da Metodologia DiSOP, venho conquistando algumas vitórias no combate ao analfabetismo financeiro e tenho percebido que os resultados são muito positivo para as pessoas que estão preparadas para lidar com o dinheiro. Contudo, o caminho é muito mais amplo, sendo que, enquanto a educação financeira não for incluída em todo nosso processo educacional problemas financeiros de fácil solução continuarão se transformando em dívidas que causam diversos problemas. Será que isso interessa para alguém?
Reinaldo Domingos – Consultor Financeiro e Palestrante sobre Educação Financeira. Também é autor do livro “Terapia Financeira” - (Editora Gente), e criador da Metodologia DiSOP – Educação Financeira - Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira. |