Redução do IPI, promoções, feirões de fábrica. As promoções são tantas que quase todos concordam que chegou a hora de comprar um veículo, correto? Não, essa idéia é muito errada, pois, a compra consciente de um veículo só acontece com a real noção de suas finanças pessoais e se esse veículo não será o vetor para futuras dívidas.
O maior problema é que a maioria dos consumidores só pensa no custo da compra e esquece que isso ocasionará diversos outros custos, como combustível, manutenção, IPVA, seguros e possíveis multas. Fora isso, eu sempre separo as pessoas em três grupos em relação as suas finanças pessoais: as com dívidas, as equilibradas e as poupadoras, e cada uma desses grupos deve tratar a compra de um automóvel de forma diferente.
A pessoa com dívida não deve nem pensar em comprar um veículo nesse momento, a prioridade dela deve ser sair das dívidas, e um custo a mais em seu orçamento é praticamente assinar o certificado de falência financeira. A prioridade no momento deve ser resolver os problemas com as finanças pessoais, reduzindo gastos desnecessários, e caso tenha o sonho de ter um veículo esse deve ser planejado em um prazo longo de tempo, quando além do fim das dívidas, essa pessoa já tenha feito uma poupança que dará a garantia de que pode comprar o veículo além de ter reservas para os gastos extras que terá.
As pessoas equilibradas financeiramente são as que mais preocupam, pois estas, por não possuírem dívidas pensam que essa é hora de “investir” em um novo veículo, ou de trocar o atual, seduzidas pelas promoções e pelo que todos comentam nesse momento. Mas elas não percebem que não possuem dinheiro em caixa para comprar à vista e que terão que financiar. E esse é o grande passo para sair do equilíbrio financeiro e ir para as dívidas. Além disso, já existem análises que provam que o desconto do IPI não compensa para financiamentos longos.
A pessoa equilibrada deve refletir sobre se realmente quer esse bem de consumo, e caso queira, iniciar imediatamente uma poupança, que terá como objetivo a troca. Ao chegar ao valor necessário compra o veículo a vista, nunca se esquecendo dos gastos extras que um veículo representará em suas finanças pessoais.
Para as pessoas poupadoras a situação no momento é de análise, tendo que refletir se é realmente necessário um novo veículo, se for e tiver dinheiro para compra a vista, essa é uma boa hora. Se faltar alguma quantia que terá que financiar, é melhor guardar mais até que compre a vista.
Caso a pessoa já possua um veículo e queira outro, terá que refletir quais as vantagens de um novo carro e se os gastos de dois veículos não são arriscados. Sempre reforço que um veículo não é investimento, em função de sua rápida desvalorização. O consumo de bens deve sempre estar associado a reais necessidades e não a impulsos consumistas do momento.
Para finalizar, como explico no livro Terapia Financeira, as pessoas devem ter objetivos para seu futuro, pois, só assim terão segurança para o consumo consciente e educação financeira. Ter um carro é interessante? Com certeza, mas com as devidas ressalvas de que não será ele que fará sua vida melhor, e sim a segurança financeira para poder pensar com calma suas ações.
Reinaldo Domingos – Consultor Financeiro e Palestrante sobre Educação Financeira. Também é autor do livro “Terapia Financeira” - (Editora Gente), e criador da Metodologia DiSOP – Educação Financeira - Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira. |